Nascimento da Eleonora – Relato do Pai Eduardo

É preciso CORAGEM para seguir em frente, parir é um mergulho no desconhecido que habita a nossa potência. Parir é um ato político, sim!

Criar outro ser humano e sonhar um mundo melhor… que esse Relato de Parto possa ser um sopro de esperança para as famílias que ainda virão.
Que outros pais possam se permitir a sentir e apoiar a escolha de suas parceiras de vida.

Milene e Edu que honra ter visto a família de vocês recebendo a Léo, que os valores de vocês possam ser um legado para que ela cresça acreditando em si mesma
e na sua própria força! Vocês tem me inspirado daqui nesses dias a semear esperança de que novos dias virão, busco me alimentar de esperança, coragem e ser resiliente.

Milene é videomaker de parto humanizado e vê a vida nascer através de seus olhos, imaginem a responsa de guardar um pouquinho desse dia em filme?
Recebi a ligação de sua doula com um frio na barriga e um quentinho no coração.
Prepara os lencinhos aperta o PLAY! E uma boa leitura desse relato do Pai sobre a chegada da Léo.

Relato de Parto Domiciliar – Relato de Pai

Eleonora veio ao mundo às 9h03 da manhã, com 3 kg e 49 cm. Nasceu justamente na data em que minha falecida avó Odete, mãe da minha mãe, fazia aniversário: 12 de setembro. Elô tem sol em Virgem, ascendente em Escorpião e lua em Gêmeos – seja lá o que isso signifique…

No país campeão de cesáreas, Eleonora contrariou as estatísticas: nasceu de parto natural e em casa, por opção dos pais. Sim, no conforto e na segurança do próprio lar.

Ver o nascimento dela foi disparado o momento mais emocionante da minha vida. Depois de mais de 12 horas desde a primeira contração, a Mi estava na banheira – uma piscininha inflável que montamos no quarto. Ela fazia força para parir, quando começou a tocar uma música que ouvimos com frequência durante a gravidez. A canção “Reconhecimento”, de Isadora Canto, traz os seguintes versos: “Bem-vindo meu novo ser / Cercado de proteção / De tanto amor, tanta paz / Dentro do meu coração / É como se eu tivesse / Esperado toda vida pra te embalar / É como se eu tivesse / Esperado toda vida pra te embalar”.

Nem preciso dizer que, já nos primeiros acordes da música, chorei igual bezerro novo. A expectativa de ver a minha filha e pegá-la era imensa. E toda vez que a Milene urrava de dor e fazia força para parir, meu coração ficava apertado por causa do sofrimento dela. Mas, por outro lado, todo grito que a minha companheira dava era um sinal de que a nossa filha se aproximava desse mundão de meu deus. Por isso, eu falava pra Mi aceitar a dor.

Saímos da banheira e a Mi se sentou em um banquinho roxo, em formato de “U”, próprio para parir. A chamada banqueta.
Ela segurava as mãos da parteira Letícia, que estava sentada em frente. Assim, conseguia fazer mais força durante o trabalho de parto.
O esforço para dar à luz é colossal. Nunca vi nada parecido na vida. Fiquei atrás dela, massageando suas costas. A dor na lombar era muito forte durante as contrações.

E de dor em dor, de contração em contração, a Milene colocou a cabeça da Elô para fora. Na verdade, num primeiro momento, foi só o topo da cabecinha dela.
Vi de relance o cocuruto e as parteiras Letícia e Paula sugeriram que a Mi e eu puséssemos a mão. Assim acariciei minha filha pela primeira vez.
Novamente não contive as lágrimas, que se tornaram um dilúvio quando finalmente a Eleonora nasceu.

E ela também chegou ao mundo aos prantos. Desde Pixinguinha, nunca um choro soou tão bem aos ouvidos.

Sempre admirei a determinação da Mi. Nunca duvidei da capacidade dela de parir de forma natural. Mesmo assim me surpreendi com a garra dessa guerreira.
Elô, se for para puxar apenas uma qualidade da sua mãe, que seja a força de vontade. Ela move o mundo.

Minha filha, que sorte que nós temos! A Mi é a mamãe mais gentil e amorosa que você poderia ter. Valorize sempre quem lhe trouxe ao mundo.

Foi essencial contar com o apoio da equipe que acompanhou o parto: a doula Maíra Duarte, as parteiras Paula Leal e Letícia Ventura, a video maker Bia Takata e a amiga e fotógrafa Rovena Rosa.
Orgulho de estar cercado por mulheres fortes e sensíveis. Sem essas profissionais, teria sido muito mais difícil trilhar essa jornada. De todo coração, agradeço vocês.

Obrigado por ter escolhido a nossa família, Elô. Amo você daqui até o infinito.

Beijos,
Papai